segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Futuro Perfeito, por Flávio Schmidt*

     Você sabe qual é a diferença entre o Futuro Perfeito e o Imperfeito?
     Pense em como agimos quotidianamente. O que pretendemos ser daqui a 20 anos? Vamos esperar esses anos passarem para saber como serão? Esse é o Futuro Imperfeito.
     Agora, imagine o futuro, 10, 20, 50 anos à frente. Identifique suas características claramente, traga-o para a atualidade. Pratique-o como se fosse hoje. Esse é o Futuro Perfeito.
     Existem duas habilidades admiráveis no ser humano: a recordação e a imaginação. Sem elas, o ser humano não poderia viver. São duas sensações abstratas que tornam nossa vida algo concreto e possível.
     A recordação tem a propriedade de nos mostrar o quanto construímos ao longo de nossa vida. Precisamos construir o passado todos os dias com ações concretas e esforço dirigido para a profissão e para o trabalho. Sair da superficialidade e produzir resultados com profundidade. Isso exige de cada um de nós uma concentração adicional para a aproximação entre as pessoas e o relacionamento. Devemos construir o passado para compreender o presente.
     A imaginação é o oposto da recordação. Com ela você pode criar, recriar, inventar, reinventar. Construir castelos e refugiar-se dentro deles contra as maldades do mundo. Com a imaginação você pode viver um mundo multicolorido, mesmo que seus dias sejam cinzentos e nebulosos. Pode tornar sua vida intensamente bela e digna de viver, apenas orientando sua imaginação para a alegria e a felicidade. É possível ser feliz vivendo do passado e sonhando o futuro.
     Ao contrário do passado, o futuro em nossa concepção é apenas imaginário. Somos felizes imaginando que um dia seremos ricos, importantes ou que faremos sucesso, seremos reconhecidos. No entanto, estamos sempre realizando muito pouco do futuro idealizado. E nos contentamos com isso.
     Agora mesmo estamos tentando criar o futuro do novo milênio. Não estamos pensando nos primeiros anos após nossa formatura. Nem mesmo estamos pensando nos próximos dez anos. O tema oficial agora é o profissional do novo milênio. O ser humano está programado para pensar o futuro e mantê-lo distante, fora do alcance de nossas mãos, de nossas ações. Aproveitamos muito mal os resultados imaginados para o futuro. Aproveitamos muito pouco do que imaginamos ideal no futuro. Lembram-se da mística do ano 2000? Foram 50 anos de previsões e expectativas. Considerado o ano da transformação do mundo, da virada do Século, do Milênio.
     Durante as últimas três décadas imaginamos o ano 2000 como a era estelar ou espacial. Encantados com o primeiro pouso do homem na Lua, imaginamos que em 2000 estaríamos fazendo, para lá, viagens rotineiras de lazer, nos finais de semana. No entanto, chegado o ano 2000, nada mais que um pouso na Lua foi realizado. Nem mesmo pudemos realizar outro sonho, dado como certo, de ter a possibilidade de escolher entre passar as férias em Aspen ou em Marte.
     Descobrimos que toda a imaginação do futuro serviu apenas para enriquecer profetas contemporâneos, pensadores do futuro, e, por muitos anos, alimentamos a falsa ilusão de que teríamos o privilégio de viver no ano 2000. Muito pouco ou quase nada do que imaginamos para o ano 2000 aconteceu. Nem mesmo o “Bug do Milênio” aconteceu como fora previsto. Ele não passou, na verdade, de um inseto importunando a orelha de técnicos acordados à meia noite dentro de empresas e escritórios, na passagem do ano.
     Porque nossa referência era o ano 2000 e nada do que imaginamos aconteceu? Em primeiro lugar, ele se tornou referência pelas citações históricas e por marcar, simultaneamente, o fim de um século e o início de um milênio. Esse encontro carrega muita energia e tornou-se natural que se criasse tanta expectativa em torno dele.
     Sem entrar no mérito das profecias, ocorreu que imaginamos demais o futuro. A cada ano que passava projetávamos mais 10 para a frente, prevendo uma revolução surpreendente, de avanços tecnológicos sem precedentes. A simultaneidade dos acontecimentos e a velocidade da informação, em tempo real, provocada pela informática, eletrônica e as ondas de rádio e via satélite avançaram significativamente e criaram em todos nós a sensação de que estávamos realizando a mais fantástica de todas as obras do século.
     Isto nos levou a acreditar que realmente todas as profecias seriam confirmadas e nos esquecemos do banal. Do mais antigo e arcaico dos fatores. Do fator humano. Esquecemos de considerar a limitação física e emocional do homem. Valorizamos e projetamos apenas a mente e sua imaginação e criamos um mundo novo para viver.
     A mística do ano 2000 acabou. Dá para perceber um vazio e um deserto no imaginário do presente, após a entrada do ano 2000? Não existe nenhuma esperança aparente ou expectativa real em torno do que irá acontecer no futuro.
     O ano 2000 é mais um espaço vazio do que um caldeirão efervescente de realizações. Vocês não acham? Ele é um ano comum, sem nenhuma novidade e com as mesmas ou piores condições de sobrevivência social, familiar e profissional. Esse é o efeito de uma alta expectativa frustrada unicamente porque imaginamos demais o futuro e realizamos muito pouco do que idealizamos.
     Estamos permanentemente construindo o futuro imperfeito.
     Se olharmos o passado, vamos verificar que os fatos marcantes se desenrolaram em torno do homem, como indivíduo em busca da satisfação de suas necessidades imediatas, seus desejos pela segurança, saúde, moradia, educação, harmonia e felicidade.
     A derrubada do muro de Berlim, a unificação das Alemanhas, a União Européia, as invasões e as tomadas de países árabes e judeus. A realidade da guerra e do domínio pela imposição econômica e bélica, são fatos concretos e contemporâneos. Não foram frutos de visões do futuro, no passado. São frutos da desconcertante constatação de que o homem está em busca de encontrar uma razão maior para viver e não para sonhar.
     O sonho não realizado é somente um instrumento para justificar o que não podemos ter agora. E agora, vamos continuar projetando o futuro e esperar para ver o que acontece?
     Os profissionais de Comunicação têm a responsabilidade de interpretar essas tendências. Vocês são parte de um grupo que faz acontecer. São profissionais de comunicação e têm a responsabilidade de interpretar as tendências e criar mecanismos para promover, por meio de atitudes, comportamentos e informação, o bem estar individual, coletivo e social. Não é por menos que a comunicação está inserida numa área do conhecimento chamada Comunicação Social.
     Cada especialidade da comunicação tem uma função própria dentro desse universo, mas todas prestam o mesmo serviço - promover os benefícios esperados pela sociedade. O profissional de comunicação tem a responsabilidade de conhecer as necessidades atuais dos grupos de relacionamento, planejar e desenvolver ações para realizar estes objetivos.
     Uma empresa não se comunica somente com um grupo, ela está envolvida numa rede de relacionamentos, que precisa ser administrada estrategicamente para que obtenha resultados.
     Que especialidade tem mais proximidade e familiaridade com os princípios organizacionais e que pode oferecer resultados concretos esperados pela empresa e a sociedade? Que especialidade de comunicação tem em sua essência a técnica do relacionamento com os vários públicos estratégicos e está preparada para assumir esta função?
     Relações Públicas, a comunicação do relacionamento. Tudo o mais é divulgação.
     A especialidade que estuda o comportamento, analisa e traça o perfil de públicos estratégicos das empresas, que define a melhor forma de abordagem considerando os interesses e os conflitos existentes é a atividade de Relações Públicas.
     A função de Relações Públicas está posicionada para a pesquisa, para o diagnóstico e para o planejamento estratégico, visando estabelecer um nível de informação estável e criando um conceito próprio para a empresa, do qual ela irá usufruir no mercado. Esqueçam os coquetéis, os eventos, as publicações, a assessoria de imprensa. Essas ações são simplesmente instrumentos que dão suporte à ação estratégica de relações públicas. São apenas um pedaço da parte visível dela. São apenas a ponta do iceberg.
     Os aventureiros e idealizadores do futuro estão tomando conta dos espaços para salvaguardar seus empregos, prognosticando e criando realidades incertas que poderão trazer muito mais prejuízos às organizações e grupos de pessoas do que a pior das previsões alucinatórias.
     O profissional com sensibilidade e percepção não faz isso. Ele buscará compreender as mudanças e tendências atuais, fará a análise e o diagnóstico das situações e tomará as medidas necessárias para satisfazer os interesses em comum e harmonizar as expectativas existentes.
     Mais do que isso, sensibilizará os empresários e dirigentes de organizações para também assumirem papeis relevantes de participação na sociedade. Envolverá a empresa em ações sociais, de cunho educacional, cultural ou esportivo. Tudo fará para tornar a empresa uma entidade cidadã, cumpridora de sua responsabilidade social.
     Experimente ficar ao sabor das informações sem adotar nenhum critério de seleção e responsabilidade. Você se sentirá tomado por um turbilhão de informações, cuja natureza nada significara a você. Se fizer isso, estará reconhecendo o tempo como restrição e não como solução. Você estará fazendo parte dos rápidos e não dos precisos e será apenas mais um sujeito. com. Esse é o futuro imperfeito.
     Experimente reunir pessoas com interesses em comum e em torno de alguma causa ou organização. Ouça, identifique opiniões e expectativas. Reconheça as necessidades e os desejos reais do grupo.
     Forneça as informações de que precisam e promova as condições ideais de relacionamento efetivo e duradouro. Promova a convivência, desenvolva atividades e pratique ações concretas para satisfazer os interesses envolvidos.
     Permita que construam o passado com um presente digno e saudável.
     Proporcione as melhores condições para que possam ter recordações sempre saudáveis e uma imaginação livre para criarem, recriarem e serem realmente felizes.
     Constate o resultado.
     Esse é o Futuro Perfeito. Relações Públicas Constrói o Futuro Perfeito.




Parabéns a todos e a todas que exercem a profissão de Relações Públicas !

22 de Novembro: Dia Mundial de Valorização do Profissional de RRPP ! Hoje *.*

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